Publicado em 03/02/10,
SUS oferece duas novas vacinas para seis milhões de crianças
Duas novas vacinas serão incluídas no calendário
básico de vacinação disponível na rede pública de saúde: a pneumocócica
10-valente e a anti-meningococo C. A primeira será oferecida a partir de março
em todo o território nacional e protege contra a bactéria pneumococo, causadora
de meningites e pneumonias pneumocócicas, sinusite, inflamação no ouvido e
bacteremia (presença de bactérias no sangue), entre outras doenças. A segunda
será aplicada a partir de agosto e imuniza contra a doença meningocócica.
Nos primeiros 12 meses após a implementação, as novas vacinas serão aplicadas
em crianças menores de dois anos de idade. A partir de 2011, elas farão parte
do calendário básico de vacinação da criança específico para os menores de um
ano. Depois de cinco anos do início dos novos programas de vacinação, em 2015, a previsão é sejam
evitadas cerca de 45 mil internações por pneumonia por ano em todo o Brasil.
Com isso, a média dessas internações por ano cairá de 54.427 para 9.185, uma
redução de 83%.
"As inclusões das vacinas são um grande avanço para a saúde pública brasileira.
Os imunizantes vão proteger a população contra doenças de grande e vão
contribuir para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria da
qualidade de vida do brasileiro", afirma o diretor de Vigilância Epidemiológica
da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério, Eduardo Hage.
DOENÇAS- Principal causa de meningite bacteriana no Brasil, a
doença meningocócica pode se manifestar como uma inflamação nas membranas que
revestem o cérebro (meningite) ou como uma infecção generalizada
(meningococcemia), que pode levar rapidamente à morte. Entre 2000 e 2008, o
número de casos da doença caiu de 4.276 para 2.648, uma redução de 38% (veja
quadro abaixo). No mesmo período, o número de mortes por essa enfermidade caiu
47%, de 777 para 412. Essa redução pode ser atribuída à menor circulação do
meningococo do sorogrupo B, uma vez que, entre 2001 e 2009, os 20 surtos de
doença meningocócica no país tiveram como responsável o meningococo C.
O pneumococo, por sua vez, é a segunda maior causa de meningites bacterianas
(pneumocócicas) no Brasil. Entre 2000 e 2008, manteve-se a média anual de 1.250
casos de meningite pneumocócica e de 370 óbitos por ano (veja quadro abaixo). O
pneumococo também é o principal agente causador de pneumonias em todas as
faixas etárias. O número de internações no SUS por essa doença caiu de 950.162,
em 2000, para 695.622, em 2008 - redução de 26,8%.
INVESTIMENTO -Para a aquisição das duas vacinas em 2010, o
Ministério da Saúde investirá R$ 552 milhões. Desse total, R$ 400 milhões serão
destinados para 13 milhões de doses da vacina pneumocócica e R$ 152 milhões
para 8 milhões de doses da meningocócica. As doses são suficientes para
imunizar 6 milhões de crianças menores de dois anos de idade. O Ministério
também vai comprar diretamente 13 milhões de seringas e agulhas, com
investimento de R$ 1,4 milhão, para a aplicação da vacina pneumocócica.
Com o investimento, o Ministério alcança a meta do Programa Mais Saúde de
introduzir duas novas imunizações no calendário básico, um ano antes da data
prevista, 2011.
TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA - O secretário de Ciência,
Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães,
explica que as vacinas serão adquiridas diretamente de laboratórios nacionais.
A pneumocócica será comprada do Laboratório Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), graças a um acordo de transferência de tecnologia assinado
entre o Ministério e o laboratório inglês Glaxo Smith Kline (GSK) no ano
passado.
Já um acordo de transferência de tecnologia firmado também em 2009 entre a
Fundação Ezequiel Dias (Funed), o governo de Minas Gerais, e a companhia
farmacêutica suíça Novartis permitirá a compra da vacina
anti-meningocócica C diretamente da Funed. "Isso demonstra a vontade do SUS de
aprimorar as ferramentas de prevenção e tratamento a serviço da população. São
vacinas modernas e é muito importante que os laboratórios nacionais dominem
essa tecnologia", avalia o secretário.
Além desses contratos de transferência de tecnologia, nos últimos cinco anos, o
Brasil começou a produzir vacina contra a gripe sazonal, contra o rotavírus
humano e a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba). Essas três
vacinas responderam por 28,6% da produção nacional em 2008.
CALENDÁRIO BÁSICO - Com a introdução das vacinas, o Calendário
Básico de Vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério
passará a ter 13 tipos de vacinas para proteger contra 19 doenças (veja quadro
abaixo). Além disso, a oferta total do PNI, considerando as imunizações
especiais, passa a ser de 28 tipos de vacinas (nacionais e importadas). O
número é 30% maior que em 2002, quando eram oferecidos 18 tipos. O crescimento
deve-se principalmente ao investimento do país para desenvolver novas vacinas e
ao aumento da capacidade de produção nos últimos anos.
Para se ter ideia, o investimento brasileiro em pesquisas para o
desenvolvimento e aprimoramento de vacinas aumentou mais de 1.216% em cinco
anos. Em 2003, o governo federal investiu R$ 1,6 bilhão em estudos na área.
Esse número saltou para R$ 21 bilhões em 2008. São recursos do Ministério da
Saúde, com contrapartida de órgãos do governo de fomento à pesquisa - como o
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), UNESCO e
fundações estaduais de apoio à pesquisa.
Novo Calendário Básico de Vacinação depois da inclusão da pneumocócica
10-valente e anti-meningococo C
1. BCG (contra tuberculose)
2. Vacina contra hepatite B
3. DTP (contra difteria, tétano e coqueluche)
4. DTP+Hib (contra difteria, tétano e coqueluche e infecções por Haemophilus
influenzae tipo B)
5. DT (dupla adulto - contra difteria e tétano)
6. Vacina Hib (infecções por Haemophilus influenzae tipo B)
7. Vacina contra poliomielite
8. Vacina contra rotavírus
9. Vacina contra febre amarela
10. Tríplice viral (contra caxumba, rubéola e sarampo)
11. Vacina contra Influenza (gripe)
12. Vacina Pneumocócica (contra meningites bacterianas, pneumonias, sinusite,
inflamação no ouvido e bacteremia)
13. Vacina anti-meningocócica (contra doença meningocócica)
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ESQUEMA BÁSICO DE VACINAÇÃO
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Pneumocócica 10-valente
Crianças menores de 1 ano.
Esquema Vacinal: Serão ministradas 3 doses + 1 reforço no primeiro ano de vida da
criança. Para o ano da implantação, haverá um esquema especial, no qual
crianças de 12 meses a 24 meses de idade não vacinadas anteriormente
receberão a imunização.
Meningocócica C
Crianças menores de 1 ano.
Esquema Vacinal: Serão ministradas 2 doses + 1 reforço no primeiro ano de vida da
criança. Para o ano da implantação, haverá um esquema especial, no qual
crianças de 12 meses a 24 meses de idade não vacinadas anteriormente receberão
a imunização.
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