Publicado em 15/02/10,
Entre jovens, epidemia de aids é mais feminina e gay
Na faixa etária de 13 a 19 anos,
número de casos é maior entre as mulheres e, dos 20 a 24 anos, divisão
por gênero é semelhante. Entre os homens, jovens se infectam mais em
relações homossexuais
Os números mais recentes da aids no Brasil mostram que a
epidemia, na década de 2000, comporta-se de forma diferente entre os
jovens. Na população geral, a maior parte dos casos está entre os
homens e, entre eles, a principal forma de transmissão é a
heterossexual. Considerando somente a faixa etária dos 13 aos 24 anos,
a realidade é outra. Na faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos
registros da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24
anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros.
Para os homens dos 13 aos 24 anos, a principal forma de transmissão é a
homossexual.
Diversos fatores explicam a maior vulnerabilidade dos
jovens para a infecção pelo HIV. Entre as meninas, as relações
desiguais de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, incluindo
a legitimidade do exercício da sexualidade, são algumas dessas razões.
No caso dos jovens gays, falar sobre a sexualidade é
ainda mais difícil do que entre os heterossexuais. "Eles sofrem
preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que
baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis
ao HIV", explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST,
Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
Como uma resposta a essa realidade, o Ministério da
Saúde e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulhres fará uma
campanha publicitária por ocasião do carnaval, com mensagens dirigidas
para esse público. Pela primeira vez, a ação terá dois momentos. No
primeiro, veiculado uma semana antes dos dias de folia, as peças tratam
do uso da camisinha. Na semana seguinte ao carnaval, outros materiais
falarão sobre a importância de se fazer o teste anti-HIV quando se
viveu alguma situação de risco.
Para incentivar o uso do preservativo entre os jovens de
16 a 24 anos, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou a
Campanha de Prevenção e Enfrentamento da Aids no Carnaval 2010, no
sábado, dia 6, na Vila Olímpica da Mangueira, no Rio de Janeiro. Com o
slogan "Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre." e
tendo como garoto-propaganda um preservativo com a voz da atriz Luana
Piovanni, a idéia é estimular o sexo seguro e diminuir as taxas de
infecção, principalmente, entre as meninas e homens gays dessa faixa
etária durante a folia que invade o país. No Carnaval 2010, serão
distribuídos gratuitamente 55 milhões de preservativos em todo o
Brasil.
"A campanha usa mensagem bem didática, para mostrar que
o preservativo é uma maneira importante eficaz e segura de impedir a
transmissão desta e de outras doenças sexualmente transmissíveis e
também evitar uma gravidez indesejada. Principalmente no carnaval, onde
lidamos com esta questão: uma mistura de desejo e brincadeira",
ressaltou o Ministro, lembrando que pela primeira vez a campanha também
falará sobre a importância de se fazer o teste anti-HIV.
Esta etapa será veiculada a partir de Quarta-feira de
Cinzas, e focada no público que não usou camisinha durante os festejos
e que poderá recorrer ao teste anti-HIV. "É um teste rápido disponível
para quem quiser fazer. Está garantida a confidencialidade e a
preservação da individualidade. O principal objetivo é possibilitar que
a pessoa saiba se está contaminada e como se deve tratar", esclareceu
Temporão.
Desde 2000, essa é a décima vez que os jovens são tema
de campanhas de massa desenvolvidas pelo Departamento de DST, Aids e
Hepatites Virais. Há também ações dirigidas para esse público em
atividades específicas, como as paradas gays, carnavais fora de época e
outras festas populares com grande participação dessa faixa etária.
Feminização - O aumento de casos de aids entre as
mulheres se deu em todas as faixas etárias. Em 1986, a razão era de 15
casos de aids em homens para cada caso em mulheres, e a partir de 2002,
a razão de sexo estabilizou-se em 15 casos em homens para cada 10 em
mulheres. Na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de aids é
maior entre as mulheres jovens. A inversão apresenta-se desde 1998, com
oito casos em meninos para cada 10 casos em meninas.
Entre 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil
3.713 casos de aids em meninas de 13 a 19 anos (60% do total), contra
2.448 meninos. Na faixa etária seguinte (20 a 24 anos), há 13.083 (50%)
casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo com 25 anos e mais, há
uma clara inversão - 174.070 (60%) do total (280.557) de casos são
entre os homens.
A Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da
População Brasileira, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, também
ajuda a explicar a vulnerabilidade das jovens à infecção pelo HIV. De
acordo com o estudo, 64,8% das entrevistadas entre 15 e 24 anos eram
sexualmente ativas (haviam tido relações sexuais nos 12 meses
anteriores à pesquisa). Dessas apenas 33,6% usaram preservativos em
todas as relações casuais, as que apresentam maior risco de infecção.
Nos homens, 69,7% dos entrevistados eram sexualmente
ativos. Entre eles, porém, o uso da camisinha é maior: 57,4% afirmaram
ter usado em todas as relações com parceiros ou parceiras casuais.
Gays - Na faixa etária de 13 a 19 anos, entre os meninos
há mais casos de aids por transmissão homossexual (39,2%) do que
heterossexual (22,2%), no ano de 2007. Essa tendência é diferente do
que ocorre quando se observa todos os casos de aids adquiridos por
transmissão entre homens - 27,4% homossexual e 45,1% heterossexual.
Nas escolas - O carro-chefe das ações de prevenção à
aids e outras doenças sexualmente transmissíveis é o programa Saúde e
Prevenção nas Escolas (SPE), uma iniciativa dos ministérios da Saúde e
da Educação. Criado em 2003, o SPE tem como objetivo central
desenvolver estratégias para redução das vulnerabilidades de
adolescentes e jovens. As ações se dão de forma articulada entre
escolas e unidades básicas de saúde. Hoje, 50.214 escolas de todo o
país participam do programa.
A iniciativa trabalha a inclusão, na educação de jovens
das escolas públicas, dos temas saúde reprodutiva e sexual. O SPE reúne
ações que envolvem a participação de adolescentes e jovens (de 13 a 24
anos), professores, diretores de escolas, pais dos alunos, e gestores
municipais e estaduais de saúde e educação. É no âmbito deste programa
que se disponibiliza preservativos nas escolas.
Mais informações
Atendimento à imprensa
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
Tel: (61) 9221-2546/3306 7051/ 7033/ 7010/ 7016/
Site: www.aids.gov.br - E-mail: imprensa@aids.gov.br
Atendimento ao cidadão
0800 61 1997 e (61) 3315 2425
*Matéria retirada do site do Ministério da Saúde
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