Publicado em 09/02/10,
Entidades de Enfermagem visitam novo hospital público do ES e cobram isonomia de tratamento
Representantes de cinco entidades nacionais e estaduais da Enfermagem estiveram no Hospital Estadual Central de Vitória, que começou a funcionar em dezembro último, para conhecer o modelo de administração adotado na instituição e ver de perto a situação dos profissionais que trabalham na unidade. Participaram da visita o presidente do Coren-ES, Wilton José Patrício, o diretor do Cofen, Antonio Coutinho, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros no Espírito Santo, Edson José da Cruz, a diretora da ABEn no Espírito Santo, Márcia de Souza, e a diretora da Associação Nacional dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, Rosangela Fernandes Alves, também diretora do Coren-ES.
A visita foi agendada após uma reunião do diretor do Cofen, Antonio Coutinho, com o secretário estadual de Saúde, Anselmo Tozi. Coutinho levou para o titular da Sesa a insatisfação manifestada por profissionais de Enfermagem, de que a direção do novo hospital estaria adotando tratamento diferenciado em relação aos funcionários. Tozi então convidou o representante do Cofen para visitar o Hospital Central. Compreendendo a importância do ato, o representante do Cofen estendeu o convite às demais entidades da Enfermagem para acompanhá-lo na visita.
Reclamações
A maioria dos funcionários do hospital recebe salário fixo. Já os médicos trabalham sob o sistema de produção e metas e recebem por produtividade. Essa modalidade de pagamento não está sendo contestada. O questionamento dos profissionais de Enfermagem é em relação ao tratamento diferenciado. Diante dessa reclamação, foi solicitado que o mesmo sistema de pagamento, de produção e metas, seja adotado para enfermeiros e técnicos.
Outros pontos foram reivindicados, como a criação de uma comissão de ética, dimensionamento de profissionais, programa de capacitação e manutenção de diálogo com os sindicatos na construção de acordo coletivo que reflita a necessidade dos trabalhadores. Ainda foi solicitada a criação de um fórum das entidades com a diretoria do hospital, periodicamente, para discussão e melhoria nos processos de trabalho através de ações pró-ativas. As sugestões foram feitas ao diretor geral do hospital, Edemir Antônio Beltrame, e também à diretora assistencial de Enfermagem, que prometeram manter o diálogo com as entidades.
Os dirigentes da Enfermagem percorreram os setores de atendimento e internação da unidade, conversaram com os trabalhadores, e se colocaram à disposição para ouvi-los fora do ambiente hospitalar, evitando assim, qualquer tipo de constrangimento para os profissionais.
Quadro de pessoal e jornada
Cerca de 100 técnicos e 26 enfermeiros trabalham atualmente no Hospital Estadual Central. A meta para dezembro deste ano é ter 306 profissionais de enfermagem atuando na unidade. Os enfermeiros e técnicos são contratados pelo regime celetista, com assinatura na Carteira de Trabalho. Essa forma de contratação, via CLT, agrada às categorias porque garante direitos trabalhistas importantes. Um alívio para muitos que já sofreram exploração em contratações temporárias, os conhecidos DTS, e com as cooperativas de Saúde.
Além da contratação com base na CLT, os enfermeiros assistenciais do turno da noite e os diaristas têm jornada de 30 horas semanais. A carga horária dos demais, supervisores e técnicos é de 40 horas semanais, mas a diretora assistencial da Enfermagem garantiu que assim que a redução da jornada for aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República, o hospital vai se adequar a nova carga horária.
Hospital
O Hospital Estadual Central atende exclusivamente a pacientes encaminhados por outros três grandes hospitais da Grande Vitória, que são o Dório Silva, na Serra, o São Lucas, na Capital, e o Antônio Bezerra de Farias, em Vila Velha.
A nova unidade conta com mais de 600 profissionais, ao todo, e oferece cirurgias de média e alta complexidade, além de exames de tomografia, raio-X, endoscopia, broncoscopia, ultrassonografia e ecocardiograma. Quando atingir a capacidade máxima, o Hospital Central poderá internar até 760 pacientes por mês. A expectativa da Secretaria Estadual de Saúde é que esse número seja atingido em abril.